Houve ali um momento, um segundinho só, talvez, em que quis desaparecer. Ser ar, ou coisa nenhuma, nem que fosse por um instante. Hoje a terra e o céu mudaram de lugar. Hoje abalei tudo o que sou e serei. Hoje a tristeza cumpriu-se com uma violência que me traz febril. Hoje as lágrimas quase secaram, o coração esteve sempre a mil, estremecendo tudo. Hoje fui uma criança a chorar sozinho, num canto, encostado à parede, a música aos gritos nos ouvidos, a rua escura lá fora, inteira e plena, inclemente. Hoje faltou-me o chão, o ar, a vida toda que se construiu, o concreto, o que era certo, a luz. Hoje, se calhar, houve ali um segundo em que morri. Por ser preciso. “P”